Uma flotilha de mais de 100 barcos
Ainda a dois meses da largada, a organização já contabilizava mais de 100 barcos inscritos, marca que não era atingida com tanta antecedência havia anos. O destaque fica por conta da participação estrangeira, a maior da história do evento: oito veleiros argentinos — Clandestina, Double Black, Mad Max RockHaus, Sandokan, Mago, Fjord V, Der Bekannte 2 e Louanjo — além do uruguaio Lady.
Na ORC, principal classe oceânica, o grid reúne nomes de peso: o olímpico Samuel Albrecht, à frente do Crioula 52, tricampeão da competição, e Eduardo Souza Ramos, maior vencedor da história da SIVI, com nove títulos, no comando do Onda. Ao lado deles, tripulações amadoras e familiares dividem a mesma raia — uma das marcas registradas do evento.
O que mudou nesta edição
Diante do volume de inscritos, a organização retomou o formato com duas raias de competição, atendendo a um pedido antigo dos velejadores e permitindo percursos mais adequados a cada grupo de barcos. A classe HPE25 também voltou ao programa, juntando-se a ORC, BRA-RGS, RGS-Cruiser, Clássicos e C30. Completam o calendário o Desafio Super 40 e o Campeonato Regata de Equipes.
Entre as provas, seguem no roteiro as tradicionais Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, com cerca de 55 milhas náuticas, a Ilha de Toque-Toque por Boreste e a Renato Frankenthal, além das regatas barla-sota, que exigem estratégias completamente distintas das equipes.
Muito além da raia
A programação começou em 24 de julho com o credenciamento, seguiu no dia 25 com a Regata Vela do Amanhã Mauro Dottori by Genoa Capital — que embarca crianças de projetos sociais ao lado dos competidores — e teve abertura oficial no domingo, 26, com o Desfile dos Barcos no píer da Vila e a largada das primeiras regatas.
Em terra, o Race Village, montado no Centro Histórico, concentra estandes de órgãos ambientais e culturais, rodas de conversa, atividades infantis e shows, com atrações como Paula Lima e Chico Chico. A SIVI encerra o Mês da Vela, iniciado com a Semana Internacional de Vela de Monotipos, entre 9 e 11 de julho, que reuniu 145 velejadores na Escola Municipal de Vela "Lars Grael".
A sustentabilidade ganhou espaço nesta edição: toda a comunicação oficial — avisos, documentos e resultados — passou a ser digital, há pontos de abastecimento de água para incentivar o uso de garrafas reutilizáveis e o Instituto Baleia Jubarte participa de ações de educação ambiental com as crianças da Vela do Amanhã. A presença feminina também segue em alta, tanto nas tripulações quanto em funções de arbitragem, comissão de regatas e organização.
Impacto para o setor náutico
Mais do que uma competição, a SIVI movimenta toda a cadeia náutica do litoral norte. A edição de 2025 reuniu cerca de 120 embarcações e 1.500 velejadores e teve movimentação estimada em torno de R$ 50 milhões, com reflexos em hospedagem, alimentação, comércio e serviços — em plena baixa temporada. Para 2026, a expectativa é de mais de 5 mil pessoas envolvidas.
Para marinas, estaleiros e prestadores de serviço, a semana funciona como uma vitrine e um teste de capacidade: aumento de demanda por vagas, manutenção, velas, rigging e apoio em terra em um intervalo curto de dias. É também o momento em que boa parte da comunidade náutica brasileira se encontra no mesmo lugar.
